02/11/06

Fado

A diva entrou em palco e o tempo parou. O puto absorvia cada nota como se fosse a última da sua vida.

Depois de assistir a tantos concertos, com artistas nacionais e não só, o puto assistiu ontem, provavelmente, ao melhor espectáculo musical que tem memória. A artista, Mariza, com a alma na voz, fazia arrepiar qualquer pessoa naquele Coliseu à pinha.

Numa demonstração em como tinham sido as suas primeiras noites de Fado, dirigiu-se para o centro do anfiteatro sem microfone, na companhia de uma guitarra portuguesa e uma clássica, também elas desligadas do que quer que fosse. No meio da multidão cantou e encantou. Maravilhados, todos nos apercebemos do poder daquela voz que, sem o auxílio de amplificadores, se ouvia forte, sentida e limpa, em todo o recinto. Como devem calcular, a ovação foi de pé.

Os estrangeiros presentes, à saída, espantados com esta voz e expressão musical, únicas no mundo, insistiam na pergunta “mas… isto sempre foi assim?”, “o Fado sempre teve esta dimensão?”. Com as respostas afirmativas, por parte dos portugueses, mais estupefactos ficavam. Sim, sempre tivémos excelentes intérpretes do Fado, a nossa música.

Um sentimento de orgulho em ser português e lisboeta transbordava.

Mariza, para ti, sublime é a palavra.

4 comentários:

Espalha Brasas disse...

Não gosto mesmo nada de fado.

Boris disse...

É nosso e é único.

Tens de ir ver a Mariza para mudares de opinião.

Carla disse...

Amiga, é porque ainda não ouviste Fado com atenção e não ouviste, concerteza, a Mariza ao vivo.

E se és daquelas pessoas que pensa que o Fado é só choro, ficam aqui estes versos para ti:

"Se ser fadista é ser triste
É ser lágrima prevista
Se por mágoa o fado existe
Então eu não sou fadista.

Mas se é partir à conquista
De tanto verso ignorado
Então eu não sou fadista
Eu sou mesmo o próprio fado!"

in Recusa, Mário Rainho/José Magala

Espalha Brasas disse...

Não gosto mesmo de fado. Nem da Mariza nem de nenhum. Por isso já sabem, nunca me convidem para uma noite de fados. Sorry!