13/11/06

Mundo do Interesse

No mundo onde vivemos, tudo são empresas. Desde as empresas propriamente ditas, grandes ou pequenas, até às famílias e mesmo, o mero solteiro. Todos têm os seus impostos para pagar e acima de tudo, todos têm de subsistir.

Subsistir é lucrar. Lucro este que, pode ser fama, projecção, dinheiro. A chave deste jogo é negociar, negociar e negociar. Negociar tem duas vertentes. Quando se está por cima, fazer acreditar a outra parte que, o que se está a propor é o melhor negócio que existe. Quando se está por baixo, fazer acreditar a outra parte, que leva a mal, e que tem muito a perder, se não aceitar.

Quando este jogo de interesses se desenrola a nível empresarial, até parece normal, afinal de contas as empresas estão organizadas para isso. Agora quando é a nível pessoal, a empresa tem cara. O que torna as coisas mais confusas para o puto. O puto não gosta da mentira e do engano.Ao mesmo tempo que, vê o outro como semelhante, vê também o outro a tentar ganhar vantagem sobre ele. Mas, se o outro quer ganhar vantagem, não quer ser semelhante.
Quem não sabe negociar neste mundo torna-se um aleijado, ao tentar dar-se bem dentro do mundo do interesse.
Na maneira de ver do puto, talvez utópica, lutar pela igualdade de ambos é mais proveitoso, pois remam os dois para o mesmo lado.
A conclusão é simples. A sociedade que nos rodeia, impele-nos para lutarmos uns contra os outros. Enquanto estivermos preocupados em tomar posições divergentes, quem na realidade tem o lucro, tem todo o tempo do mundo.

3 comentários:

Carla disse...

Chama-me utópica se quiseres mas eu continuo crente na humanidade. Às vezes nem tanto, também me desiludo de quando em vez, mas no fundo continuo a acreditar que somos mais que empresas à procura de lucro e que o que realmente nos move é a paixão e não o dinheiro.

espalha brasas disse...

Não consegues mover-te apenas pela paixão. Tens sempre uma ponta de interesse em qualquer coisa, mesmo que não seja óbvio. Se gostas muito de uma coisa ou de alguém, é porque tens interesse. Pode não ser dinheiro, mas é sempre algo mais do que a paixão.

Anónimo disse...

Lucro. Supondo que existirá uma igualdade, o facto de alguém lucrar significa que alguém perdeu. Atenção, que podia não ser assim, mas é. Lucramos com as perdas dos outros, como é que isto é possível? Eu quero lucrar, tú queres lucrar, toda a gente quer lucrar e quem é que quer perder? E o que é o lucro? Como sabê-lo diferenciá-lo dos ganhos normais? Se nos contentássemos com o que temos à nossa volta, se calhar não havia tantos lucros e as perdas dos que não sabem o que isso é não seriam tão grandes!